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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fortuna parte 2


Exposição: Fortuna (William Kentridge)
Local: Instituto Moreira Sales
Curador (a):

De volta ao Instituto Moreira Sales e à exposição Fortuna de William Kentridge, pudemos conhecer uma parte importante da obra do artista que não havia sido apreciada durante a primeira visita.
Na Galeria do instituto está exposto um dos mais importantes trabalhos de William Kentridge, pelo qual o mesmo passou a ser reconhecido e ganhou prestígio internacional. Drawings for Projection (desenhos para projeção) mostra uma série de curtas do artista, cuja produção foi iniciada em 1989 e o último vídeo finalizado no ano passado.
Essa série é, segundo o próprio Kentridge, o alicerce da sua produção. Após apreciá-la, torna-se mais fácil compreender os diálogos que os desenhos e os filmes mantêm. Grande parte dessa série está focada na forma e no fazer, mostrando, através da desconstrução, como a obra fora construída. Ademais é possível encontrar os mesmos elementos materiais em diferentes vídeos, o que deixa claro a ligação que os vídeos mantêm entre si.
Entre os vídeos expostos, um deles, em especial, atrai muita atenção. Viagem á Lua (2002) ganhou muita visibilidade desde a primeira exposição de Kentridge, evidenciando uma ligação de seu trabalho com George Meliés. O intrigante vídeo, que contou com a participação especial da esposa de Kentridge, permite diversas leituras em torno dele a partir da singularidade do observador. A referida obra vai do microcosmo à imensidão, partindo, por exemplo, de um amontoado de formigas ao no universo das constelações. Ou seja, Através do processo de transformação, somos levados do que é comum, próximo ou, até mesmo, cotidiano para o que é distante e apreciado. É como a xícara de café que se torna o telescópio que permite admirar a lua.
Com Drawings for Prjectio, William Kentridge evidencia o seu método de trabalho e o processo das transformações constante pelas quais as imagens passam. É um maravilhoso trabalho que nos convida a uma imersão reflexiva mais profunda e nos aproxima do universo criativo.

Grupo: Daniel Luz, Beatriz Barros e Juliana Ferraz

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Acaso ou Planejamento Extremo?


Fortuna é o título da exposição de William Kentridge, sendo essa noção o princípio norteador de sua obra, já que traz o sentido de destino, porém coexistente com pré-determinação.
Esse acaso inicia-se em seu estúdio, que mais do que um local de criação, muitas vezes se torna o sujeito de sua obra, além de objetos do cotidiano como um pote de café ou mesmo uma tesoura. O artista também utiliza situações de lugares atuais e eventos, sendo o mais forte desses elementos a memória social da África do Sul e seu histórico de Apartheid, o que se torna compreensível pelo fato de Kentridge ser sul-africano, mais especificamente da cidade de Johannesburgo.
Lilian Tone, curadora da exposição relata em vídeo especial sobre o evento que ao conversar com o artista, ele disse que “gostaria de fazer algo diferente de todas as outras exposições que já fez, que costumam ser muito controladas e comedidas. Queria ter algo que demonstrasse o excesso do estúdio, o fato de que há sempre muitas coisas acontecendo, uma abundância... Algo que pode tornar-se um desenho, que  pode tornar-se um rinoceronte de papelão, que pode tornar-se uma fotografia estereoscópica, que se torna uma marionete em uma produção teatral. Um ambiente que mostraria a abertura dessas coisas, alterando-se”. Assim surgiram as duas “Salas de Excesso” na exposição.
A exposição conta com 38 desenhos, 27 filmes e animações, 184 gravuras e 10 esculturas produzidas entre 1989 e 2012, além de obras inéditas feitas especialmente para essa mostra. A série Drawings for Projection (Desenhos para Projeção), obra que o tornou conhecido internacionalmente, composta por dez curtas-metragens está sendo exibida em conjunto pela primeira vez, além dos 23 desenhos que o artista fez para criar os filmes. Essa animação é feita por meio de uma técnica concebida por Kentridge, onde ele filma quadro por quadro as alterações que faz sobre um único desenho, realizado em carvão ou pastel, o que denomina como “cinema da idade da pedra”. O resultado são formas que se transformam quando as imagens são sobrepostas em sequência, sendo um exemplo disso, a transformação de um gato em máscara de gás, megafone e bomba.

Fortuna mostra a interdisciplinaridade de suas obras, de suas ideias, de seus conceitos, do que faz parte de sua vida, já que William é formado em Ciências Políticas, apesar de trabalhar com Artes e prova de seu sucesso são os diversos prêmios recebidos ao longo de sua carreira, incluindo o Kyoto Prize em reconhecimento a sua contribuição no campo das Artes Visuais e da Filosofia. A obra de William Kentridge pode ser vista no IMS (Instituto Moreira Salles), no Rio de Janeiro desde o dia 24 de outubro de 2012 até o dia 17 de fevereiro de 2013, sendo essa a maior exposição monográfica sobre Kentridge na América do Sul.

O Instituto Moreira Salles preparou um vídeo revelando os bastidores da montagem da exposição William Kentridge. O vídeo abaixo oferece uma entrevista inédita com Kentridge e um pequeno tour pelas obras que se encontram expostas no IMS, além de uma conversa com Lilian Tone, a curadora da exposição:
http://www.youtube.com/watch?v=LdpsxH68oK0


Por Clarissa Paiva, Letícia Vallecilo, Lívia Maggessi, Marina Vilhena e Priscila Verônica. Turma EC2 - Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.